Risco sobre risco
Não existe maior satisfação, em ver uma obra terminada. A cada risco, abre-se uma porta de inspiração em meu corpo. A cada traço, dado pela inspiração, é perfeitamente elaborado. Cada detalhe, a cada atrito entre lápis e folha. Sentindo um canal de poder que vai do cérebro aos dedos destros. Concentra-se, firmemente. Olhos vidrados. Vai do desenho a inspiração. Vai do chão às nuvens. Concentra-se novamente… risca traços curtos e rápidos… erra, apaga, rápida e cuidadosamente… sente a suavidade, abre um breve sorriso… Verifica a proporção correta, erra, apaga novamente… se pergunta, pensa… começa vagarosamente o risco perdido… sensação de recomeço. Surge uma breve preguiça… vai para o pendente, ajeita nos detalhes mínimos. Volta ao risco perdido. Concentra-se. os olhos brilhando. Longo risco, resenhando com curtos riscos. Tudo medido proporcionalmente a olhos treinados. Sente um prazer imenso, sorri novamente. A sensação de alegria pelo quase término. Sem pressa, passaria horas nesse mundo abstrato, só por essa sensação. Belo, perfeitamente belo. Não a deixa enquanto não terminar… examina os detalhes. Sua boca seca. O que está desenhando? Uma pessoa, um capricho. Nos traços quase terminados, observa os lábios da obra em questão. Entra em leve devaneio, sorri, carinhosamente. Olha certo tempo para obra. Enfim, terminada. J
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